Saturday, September 17, 2011

aquela dança

a tua dancinha está ali,
absorta em um canto qualquer,
olhando pra rua,
aguardando um passo que lhe falte,
por não se sentir completa,

a tua dancinha está ali,
agora em um canto especifico- embora ainda absorta,
testando passos e compassos,
embora não encontre janela- mas encontra tela e até tinta,
segue na busca do que lhe falta,

a tua dancinha,
está desvairada, se esqueceu de ti,
quer ser independente,
buscas outros passos que a libertem de teus opressores pés,
pq vc contou-lhe que as coisas sempre se completam,
se encaixam se fundem,
-deveria ter dito então, se findam...

e agora enquanto vc reclama do amargor do amor,
ela reclama do passo perdido, do passo que não vem,
e alguém a pergunta por godô- ela não sabe ela só conhece passos e marcações

vc conhece amarguras,
e sua dancinha está ali,
no canto,
a espera do passo perfeito,
pq vc a ensinou a não se bastar,
pq vc a ensinou a esperar no outro seu espelho,
pq vc a ensinou que as coisas se fundem e que esse é o sentido da vida,
e o que se poderia fazer contra o sentido da vida?

na dúvida sua dancinha nada faz,
só espera,
no canto, empoeirado,
ao som de The Smiths,
enquanto você também aguarda no outro o que não encontra em ti.

Saturday, May 07, 2011

borderless - (inacabado)

não sinto a tua fria mão que me toca a alma,
nem o teu quente bafo de paixão que me toca a nuca,
flutuo numa piscina sem bordas mas não sinto a agua
nem sinto o sol me queima a pele.

vc insiste em sussurrar palavras em meu ouvido,
mas eu não sinto seus lábios fazendo cocegas em minha orelha,
não sinto ´tua mão na minha,
só flutuo.

chego a lugar nenhum,
mas não me despeço de ninguém pois não os vejo,
não os sinto nem os quero,
tampouco os renego,
apenas flutuo.

a deriva do sentir,
penso se estou também a deriva de mim,
não encontro respostas,
só flutuo,
sem sentir a agua de uma piscina sem bordas que se esconde sob mim,

penso se estou a deriva de mim,
penso na piscina,
não penso na inxeistencia de bordas,
penso na piscina e de repente sinto um pouco de agua a tocar meu pé esquerdo,
e junto com a agua surge a angustia que toma primeiro meu pé e depois inunda todo meu corpo.

sinto a angustia de estar a deriva de mim,
mesmo sem saber ao certo se estou,
sinto a angustia que se segue ao despreparo para o não sentir,
sinto a angustia como se meu ser fosse angustia e com ela eu me confundisse,
já não sinto mais agua,
mas me lembro da piscina e o peso da angustia me faz afundar.


me sinto morrendo,
de agua e angustia,
e descendo, afundando, e descendo,
até que ouço algo que não é angustia e nem agua,
não reconheço mas aos poucos me aqueço com o que ouço,
e aos poucos me lembro do que era seus sussurrar em minha orelha,
e reconheço ambos, minha orelha e teus sussuros.

e de repente reconheço teu bafo quente em minha nuca,
tuas mãos em minhas coxas,
minha própria nuca, minhas coxas, meu corpo,
reconheço minha cama, meu quarto, teu corpo,
reconheço minha vida meu sentir,
reconheço minha existencia,
readiquiro o controle sobre minhas palpebras e abro os olhos,
movimento meus dedos e descubro que minha mão pousava sobre tua perna.



escrito em ctba após um almoço, 7 de maio de 2011, - cansado para terminar deixo para concluir em outro momento.

Tuesday, March 29, 2011

Equilíbrio Bambo: Coisa de poeta

Equilíbrio Bambo: Coisa de poeta "escrever de uma forma que ninguem entenda" é coisa de poeta... bom talvez escrever de uma forma que cada um possa entender até de um jeito diferente...

as estatisticas de meu blog não são altas, mas as vezes me assusto qdo passo tempos sem postar nada novo e vejo que pessoas continuam me visitando.

eu escrevo basicamente em dois momentos, quando quero, ou quando acredito que preciso. quando quero é mais dificil, as vezes a gente quer mas não consegue. quando precisa é aquela sensação teraupetica de vomitar palavras no papel ou na tela... a grande diferença é que não tenho aquele pensamento de - dessa cachaça não beberei mais- pq o processo todo tem seu sabor. colocar num texto um pouco de nossos dissabores, descobertas, afagos e desencantos, nos faz sentirmo-nos um pouco mágicos, vivos, pulsantes, lutadores.. enfim, amo escrever e quando crescer queria ser um contador de historias como neil gaiman.. eqto isso quero ser uma pessoa feliz. ou o mais perto disso que eu possa chegar..
:)

Monday, March 21, 2011

filmes março

-jogos de poder. - mto bom. só bate uma tristeza no final do filme qdo penso em como será a próxima eleição presidencial norte-americana. "teremos" um presidente republicano com um congresso majoritariamente republicano? "quem poderá nos defender?" o chapolin? ou o Chaves mesmo? rsrs

-sucker punch- mto bom, melhor do que eu esperava. apesar de achar que algumas cenas de lutas poderiam ser melhores. mto comico. só acho que a morte do dragão poderia ter sido explorada melhor. mas enfim, nesse aspecto não foram "politicamente corretos" apesar de soar um filme moralista, ou humanista, sim com direito até a lição de moral num estilo meio literatura auto-ajuda. mas em minha opnião tdo isso encaixa bem, e as fabulas já continham lição de moral em seus textos antes mesmo de se pensar em criar uma categoria com o nome auto ajuda... enfim, 7.8.

Saturday, March 12, 2011

dicas de blogs para olhar depois

Galera Yes Plus!

Nas minhas andanças pela net, encontrei dois blogs muito interessantes cujos conteúdos tem muito a ver com o que aprendemos na Arte de Viver que compartilho aqui com vocês.

1. Zen Habits - http://zenhabits.net/start/

Criado por Leo Batatuta, é um blog sobre encontrar a simplicidade no dia a dia, focar no que realmente é importante e encontrar a felicidade. Acontece que é um dos Top 25 blogs do mundo, com mais de 200.000 leitores. Aborda temas como simplicidade, saúde, motivação e inspiração, frugalidade, vida em família, felicidade, objetivos, fazer as coisas acontecerem e viver o momento.

O interessante é que os textos são bem objetivos e muito bem escritos com dicas realmente aplicáveis no dia a dia.

"Muito bom!"

2. Peace and Projects - http://www.peaceandprojects.com/blog/

Criado Melissa Gorzelanczyk, também segue a linha de simplificar o dia a dia e buscar a realização pessoal.


BÔNUS:

3. Unclutterer - http://unclutterer.com/


É um blog sobre organização da casa e do escritório. Maximizar o uso dos espaços, simplificando o dia a dia e aumentando a produtividade.



Todos são em inglês, o que ajuda a aprimorar o idioma :-)


Se eu encontrar algum em português, posto depois.


JGD.


Bernardo Costa

Tuesday, March 08, 2011

carnaval em recife

acordando cedo e dormindo tarde, olinda de dia, ricifi anTigo de noite..

já, já volto a salvador.

Saturday, February 19, 2011

andanças de um eu poético rebelde I

-meu eu poético tem tomado certas liberdades...
chegou ao ponto de se dizer apaixonado
- um verdadeiro absurdo ousar tamanha independência. sabe-se por quem?
-aí é que está, sequer é por outro alguém, mas sim por outro eu poético.
- que ultrajante, que quer ele? iniciar um movimento pela liberação dos eu poéticos? não já criamos a liberdade/licença poética e oferecemos isso como consolo pela sua semi escravidão? damos a mão, querem-nos os braços, pirandelo já alertara isso...
- sim sem dúvida, mas ali tratava-se de uma revolta de personagens.. seis personagens a procura de um autor, execelente texto, altamente inspirador, não concordo com alguns que o tacharam de subversivo.
- pois é meu caro, foi um texto polêmico na época, mas falando em polêmica deixar seu eu poético com tamanha liberdade poderia tbm lhe criar problemas, que pensa em fazer?
- você não acha que... você acha que eu devo tentar esconder isso de todos?
- meu caro, quem sou eu para julgar o que é revolucionário, ou subversivo, inofensivo ou mesmo fatal, sou um simples poeta não um crítico, e ademais por via das dúvidas não dou muita liberdade a meus eus poéticos, tomo tudo para mim, não lhes dou crédito de nada, digo que faço uma poesia auto biográfico,
- mas nós dois sabemos que...
- nós dois sabemos e ninguém mais.. o mundo não sabe, deixe o mundo pensar que sou realmente autoficcional. melhor do que perceberem que fraquejo.
- vc fraqueja? não acredito, mas sempre foi meu espelho, minha inspiração em continuar escrevendo...
- e vejo que segues realmente o meu caminho, o que os outros confundem com genialidade vc pode agora perceber que é falta de tato, de controle, vc percebe agora que o que alguns chamam genial pode em verdade ser fatal,pode ser sua ruína.
- por isso vc se escondia atrás dessa história toda de auto biográfico? na verdade tudo fachada para que não percebessem que vc , que vc.. nem sempre controla o que escreve...
- ei, psiu.. fale baixo.. tá louco, vamos com calma nessa conversa ai, pois eh pegue a coisa nas entre linhas mas não diga nada assim de forma tão expressa, e se nos ouvirem?
-ok me desculpe. achei que vc só fazia isso por brincadeira.. para se divertir a custa dos criticos, dos leitores, de toda uma sociedade hipócrita que nos cerca.. nunca achei que vc fizesse isso por medo.
-pois eh agora já sabe. caiu seu muro de berlim? um dia as ideologias morrem, que elas morram antes de vc ao menos.mas esqueçamos de mim. e vc. o que pretende fazer a respeito?
- não sei. vamos pensar, hipoteticamente apenas, qual o grande perigo em darmos liberdade a nossos eu poéticos?
-não percebe a grande contradição em sua própria fala?
- não, não percebo, mostre-me.
-ora meu caro, como pode o eu poético ser livre e ao mesmo tempo ser nosso. há momentos em que temos de fazer escolhas e não vejo como conciliar a liberdade que pensas em conceder a teu eu poético e continuar a considerá-lo como teu. onde há posse não há liberdade. quando acabou a escravidão dos negros no brasil eu não poderia mais considerar nenhum ex escravo como meu. ao menos em tese não poderia mais ter posse ou propriedade sobre nenhum deles, no máximo sobre sua força de trabalho, sobre sua dignididade humana, mas tdo isso com o tempo tbm foi rediscutido e lançado a novos parametros...
- o que vc quer dizer é que...
- quero dizer que precisa ser homem e assumir as consequencias de sua escolha.. se quiser dar liberdade a teu eu poético, teu ele não será mais.. dá medo isso? essa incerteza sobre onde vc começa e onde vc termina? sobre o que o define? a indefinição sobre o que vc realmente é? agora é o eu poético que se livra de vc, e depois o que mais?
- prefiro não pensar sobre isso. não vejo como algo possa ter uma exata compreensão sobre si mesmo. creio que só possamos ter vislumbres do que somos, a partir de uma compreensão daquilo que nos cerca, não queria soar mto sarte aqui e nem é um tema sobre o qual me debruce mto.
-ok, ok, mas então o que pensa em fazer, com essas liberdades todas de seu eu poético?
- não quero perdê-lo. gosto dele. meu ou não meu, quero-o por perto. mas tbm não quero prendê-lo. mas não quero me arriscar, não sou revolucionário nem subversivo.
-fidel castro não queria ser comunista dizem as más linguas, mas o contexto histórico o empurrou para isso.
- enfim realmente não sei o que fazer.
- vc pode criar uma censura.. vc pode selecionar o que publicar, o que deixar a mostra, o que permitir manifestar-se... ou vc pode fazer como eu, diz que mudou de estilo e percebeu que para ser um verdadeiro artista, para se tornar realmente honesto precisa pôr seu sangue nos textos, precisa se tornar mais autoficcional.
- não quero censurar, gosto de meu eu poético já disse. se censurá-lo, se prendê-lo, se moldá-lo o que será dele? não, não, gosto dele desse jeito, impulsivo, guiado pela inspiração, o problema é que até então achava que a inspiração vinha de mim, e agora estou atônito com tamanha liberdade, sem saber ao certo o que de tão ruim essa liberdade representa.
- pq não finge então? já pensou em chegar pra pessoa e dizer, ei meu eu poético está apaixonado pelo seu, vamos tomar um sorvete, um drink ou quem sabe fazer amor?
- rsrs.. vc está confundindo a coisa.. nem conheço essa moça.. só li uns textos dela e sei lá meu eu poético resolveu buscar musa própria e se afeiçou a eles... até acho eles legais mas não, não acho essa uma boa saída não.. ademais só aumentaria os riscos, não seria dificil dela perceber a situação em que me encontro. se não fosse isso até pensaria em seguir sua dica, rsrs
- hum eh verdade,seria uma manobra muito arriscada, ela poderia perceber e sabe como são as mulheres não? acharia que vc a estava enganando, ficaria magoada e contaria tudo para o mundo. cara já tive diversas vezes de ouvir amigos relatando suas "dores de cotovelo", mas dores de cotovelo de um eu poético foi a primeira vez.. desculpe por fazer graça com uma situação tão delicada...
- é que não é sua vida que está em risco
- ou como diria o miranda, pimenta na bola de gude dos outros não doi..
-na bola de gude?
- é uma piada que ele fazia com uma capa de disco do tom zé... da época da ditadura.. outro dia te conto... ou te mostro.. tenho algumas cópias das fotos que foram tiradas até concluirem a capa...
-eu acho que sei o que vou fazer.
- e o que seria?
- vou dar uma de crítico literário....
- precisa mesmo se corromper? mas não entendo em que isso te ajudaria...
- vou fingir que trata-se tdo de metalinguagem.
-hã?
-conhece aquele livro, o mundo de sofia?
- conheço.
- pois bem, vou tratar todos como personagens, meu eu poético, o eu poético dela, ela, eu..
-sei...
- e então isso não seria nada novo. já temos um caso paradigmático aceito tranquilamente.. e vc mesmo o citou, brilhante como sempre vc achou minha saída..
- o do pirandello?
-exatamente.
- sei mas então vc vai fingir que todos são mero personagens, quem escreve então?
- o meu verdadeiro eu poético.
- ah claro.. o seu verdadeiro eu poético que está por trás do seu eu poético personagem, do vc personagem, do ela personagem, do eu poético dela personagem e etc... enfim várias camadas narrativas superpostas.
- exatamente.. várias camadas, assim como mundo de sofia.
- bem pensado, quase brilhante, acho que pode dar certo. mas e seu eu poético, acha que vai se sentir enganado?
- não creio nisso. ele seguirá livre, pra se apaixonar por quem quiser, e ainda torno-o personagem de si mesmo, de sorte que ele pode criar sobre si mesmo, pode fantasiar-se, pode se ver feliz, triste, pode se reinventar...
-sei...
- exato e com isso espero conquistá-lo e mantê-lo junto a mim, quero que ele se sinta bem junto a mim. não o quero meu, não o quero amarrado... quero servir-me da liberdade dele, quero que a liberdade dele me inspire, e me impulsione, e quero de alguma forma inspirá-lo tbm.
- tdo isso soa mto bem, só não escreve sobre nossa conversa, ou estaremos em apuros. e tome cuidado com os contatos de seu eu poético com o eu poético dela.
- pq?
- ora ele pode começar a pensar coletivamente, que não basta que ele seja livre, mas que ela tbm deva ser, e daí para iniciar um movimento pela libertação de todos os eu poéticos seria um pulo.
- é verdade.
- e vc sabe bem qual o meio mais rápido e prático de se matar um eu poético não sabe?
- sim. matando o ser de onde ele provem.
- com toda a certeza. e exemplos não nos faltam.